julho 16, 2011

Minha (falta de) crença em um deus


Eu sei o que você deve estar pensando: "lá vem mais um daqueles posts sobre como fulano se tornou ateu ou criticando deus de todo o jeito que pode e blá blá blá". De fato é mais ou menos isso, não criticando deus, mas sobre a visão que eu tive de um durante a infância e a visão que eu tenho atualmente.

Como quase toda criança fui criada no meio de uma religião, a religião que pregaram (ou tentaram pregar) a mim foi o catolicismo. Desde muito novinha eu ia à igreja, todos os domingos. Em casa meu pai me obrigava a rezar antes de comer e antes de dormir, algumas vezes ele sentava na mesa e chamava meu irmão e eu para sentarmos com ele, ali começávamos a rezar o terço. Como era insuportável! Lembro de um dia que sequer abri a boca pra rezar, só fiquei lá sentada de olhinhos fechados esperando aquilo acabar para eu ir brincar. Acordar cedo para ir à catequese era uma outra tortura, logo depois da catequese havia a missa, eu cantava no coral (mas essa parte não era tão ruim, eu gostava de cantar, mesmo que tivesse - e ainda tenho - uma voz horrível). 

Fiz Primeira Comunhão aos 10 anos e logo logo estaria me preparando para a Crisma, mas meu desinteresse era grande. Nessa altura do campeonato eu ainda nem sabia por que eu tinha feito Primeira Comunhão, percebi que eu não tinha dado a mínima para as aulas da catequese, a única coisa boa que vi nisso foi que a partir dali eu já poderia comer a hóstia, porque hóstia é uma delícia.


Na missa eu me sentia deslocada, as pessoas ao meu redor eram tão devotas, pareciam levar aquilo tudo muito a sério. Algumas das minhas coleguinhas do coral cantavam aquelas músicas com certa emoção na voz e outras acham aquilo um saco, eu estava no meio das que achavam aquilo um saco, cantava por cantar, rezava por rezar.

Então meus pais se separaram, meu pai saiu de casa, como era ele quem regulava minhas idas à igreja eu não precisava mais ir. Minha mãe, embora acredite em deus, nunca se importou muito com religião. Saí do coral, cantar não era mais um passatempo pra mim, frequentar a igreja não tinha mais sentido e eu não queria mais me sentir uma pecadora por não me envolver tanto numa oração como as pessoas que estavam nas missas comigo. Mas eu ainda me forçava a acreditar em deus, eu tinha medo do que aconteceria comigo se eu o negasse, eu não conseguia acreditar de verdade, mas tinha medo de afirmar para mim que eu não acreditava que existisse um deus. 

Continuei assim por mais uns dois anos, me foquei mais em estudar e deixei de me sentir culpada por não ter fé, aos poucos fui deixando qualquer medo de ser castigada para trás. Comecei a estudar evolução e surgimento do Universo, por tanto confiar nos métodos científicos passei a considerar a bíblia como um livro qualquer, nunca tinha conseguido acreditar de verdade na historinha de Adão e Eva, nada na bíblia me servia para explicar alguma coisa sobre o Universo. Fui ler sobre agnoticismo e ateísmo, para minha surpresa existiam muitas pessoas que não acreditavam na existência de um deus, eu já não me sentia solitária e anormal. Depois de muito estudar e refletir sobre tudo o que eu li e vivi, depois de ter tentado encontrar motivos concretos para acreditar em deus, cheguei a conclusão de que ele não existe. 

Sim eu ainda tentei, tentei ler sobre teologia, estudei a história de algumas religiões, aceitei até um convite para ir a um culto na igreja de uma amiga. Me senti muito mais deslocada do que eu me sentia nas missas, não por serem religiões diferentes, mas por ver toda aquela gente se humilhando de joelhos e levantando as mãos para o céu, o pastor gritando glórias no microfone e toda aquela coisa que acontece nos cultos. Não conseguia ver um motivo para tanta devoção, vi aquelas pessoas simplesmente rezando para as paredes, chegava até a ser engraçado. E eu já estava completamente livre de qualquer dogma, já me declarava atéia quando me perguntavam qual era a minha religião, sem medo algum.

Embora a ciência não me forneça todas as explicações sobre a origem do nosso Universo e a origem da vida não vejo motivos para acreditar em alguma historinha sobre isso, um dia não conseguiamos explicar por que a chuva caia do céu ou como os terremotos aconteciam, e esses eventos eram creditados a deus (das lacunas). É só uma questão de tempo para que tenhamos as respostas para as dúvidas que ainda existem. Por não sabermos ao certo as origens do Universo e da vida eu não descarto a possibilidade (não acredito apenas não descarto possibilidade) de que tenha sido criado por um ser superior, assim como eu não descarto a possibilidade de sempre terem existido, assim como eu não descarto muitas outras possibilidades. Porém a possibilidade de haver um criador é quase de 0,01%, as respostas para nossas perguntas estão por aí e não são abstratas nem sobrenaturais.


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