abril 29, 2011

Ilusão

Crias situações fantasiosas é um dos meus passatempos prediletos, momentos que nunca aconteceram nem nunca irão acontecer. Coisas bobas, sem sentido. Um mundo alternativo, que só pertence à mim, que ninguém entenderá.

Torná-las realidade? Tentei. Por várias vezes tentei. Seria mais fácil se dependesse apenas da minha vontade. Por mais que eu queira não posso moldar a realidade à minha maneira. E isso me frustra. No meu mundo tudo pode acontecer como eu preferir, ninguém me abandona, ninguém me despreza, ninguém ri de mim.

Quem vive em ilusões nunca estará pronto para o mundo real. Tão acostumada a viver em outra dimensão, sequer consigo lidar com obstáculos. Mas o que posso fazer se a ilusão me atrai mais que a realidade? Não me encaixo ao mundo real, não estou pronta para ele.

Imaginar uma vida feliz é mais fácil que se fazer feliz de verdade. Talvez esse seja o problema, minha intensa atração pelo fácil.

abril 23, 2011

Infância

Talvez parte da minha infantilidade se deva à vontade de voltar a ser inocente. Muitas vezes me pego agindo como se eu ainda fosse uma criança, a época que eu tinha várias janelinhas na boca. A época que eu não tinha consciência da maldade, que eu andava só de calcinha pela casa e pela rua, sentindo o vento bater na pele de todo o corpo. Eu não me preocupava em ganhar dinheiro, dez centavos achados na rua já eram suficientes. Passar a manhã de sábado vendo desenhos animados enrolada com meu cobertor no sofá era  muito mais prazeroso que passar a manhã trabalhando ou estudando para poder trabalhar um dia.
Sinto que estou virando um robô, programada para ter responsabilidades, programada para armazenar cada vez mais informações. Obrigada a me comportar como adulta, não posso mais correr e fazer barulho como quando eu era criança. 
Deitar no chão com meus lápis de cor e folhas brancas, desenhar coisas abstratas que vagavam na minha cabeça, contar histórias para os meus brinquedos, rolar na terra... Perdi isso para as obrigações do mundo adulto, virei o que eu temia virar. 
Sinto saudades de como eu via o mundo, para mim não existia maldade, eu não fazia maldades. Eu não posso mais conversar com meus brinquedos, as obrigações nunca mais vão me deixar passar o dia inteiro aproveitando a vida. 
Tem uma parte de mim que é muito infantil, embora reclamem dela, não quero perdê-la, não quero virar um robô de verdade.

A minha solidão

Uma voz parece implorar por socorro
Desesperada, sufocada pela agústia
Grita para o vazio, o mais alto que pode
Chora até perder a consciência.
O sangue escorre, não há dor física
Pensamentos entorpecidos
Coração esmagado pela frieza
E o desejo de desligar-se para sempre
Tempestades de lágrimas infinitas
Raciocínio anormal
Risos psicopatas ecoando pelo nada
Sentimentos perdidos em um lugar desconhecido
A vontade de continuar se vai
E no final só há escuridão
Solidão, doce solidão

abril 09, 2011

Qual é o verdadeiro motivo da homofobia?

As primeiras coisas que saem da boca de um homofóbico quando perguntado sobre seu preconceito, geralmente, são: "não é natural", "deus criou o homem para a mulher e a mulher para o homem", "homossexuais não podem ter filhos, são uma ameaça à humanidade", "sou contra porque é só mais uma modinha", entre outras coisas parecidas. Mas, o que os levam a pensar que não é algo natural? O que os faz pensar que homossexuais ameaçam o futuro da humanidade? O que os faz acreditar que só a heterossexualidade é correta?

Diversos animais apresentam comportamento homossexual, derrubando a tese de que "homossexualidade não é natural", aqui vou utilizar apenas uma espécie para explicar a naturalidade da homossexualidade e derrubar as outras teses. Com vocês, os bonobos:

(Pan paniscus)