Talvez parte da minha infantilidade se deva à vontade de voltar a ser inocente. Muitas vezes me pego agindo como se eu ainda fosse uma criança, a época que eu tinha várias janelinhas na boca. A época que eu não tinha consciência da maldade, que eu andava só de calcinha pela casa e pela rua, sentindo o vento bater na pele de todo o corpo. Eu não me preocupava em ganhar dinheiro, dez centavos achados na rua já eram suficientes. Passar a manhã de sábado vendo desenhos animados enrolada com meu cobertor no sofá era muito mais prazeroso que passar a manhã trabalhando ou estudando para poder trabalhar um dia.
Sinto que estou virando um robô, programada para ter responsabilidades, programada para armazenar cada vez mais informações. Obrigada a me comportar como adulta, não posso mais correr e fazer barulho como quando eu era criança.
Deitar no chão com meus lápis de cor e folhas brancas, desenhar coisas abstratas que vagavam na minha cabeça, contar histórias para os meus brinquedos, rolar na terra... Perdi isso para as obrigações do mundo adulto, virei o que eu temia virar.
Sinto saudades de como eu via o mundo, para mim não existia maldade, eu não fazia maldades. Eu não posso mais conversar com meus brinquedos, as obrigações nunca mais vão me deixar passar o dia inteiro aproveitando a vida.
Tem uma parte de mim que é muito infantil, embora reclamem dela, não quero perdê-la, não quero virar um robô de verdade.
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