dezembro 26, 2011

Regra do "ame-o ou deixe-o"

Acompanhando comentários no Twitter sobre o Brasil ter se tornado a sexta maior potência econômica do mundo, deixando Reino Unido para trás, foi bem notável que ainda existem os adeptos da velha regrinha "Brasil, ame-o ou deixe-o", coisa que nasceu lá na época do Regime Militar de 1964. Não é errado amar seu país e ficar feliz ao vê-lo crescer. Porém, é erradíssimo ignorar certos fatos importantes sobre sua nação e obrigar todos que nasceram ali a amarem sua terra, ou abandonarem tudo.

Vamos agora considerar algumas coisas importantes sobre o Brasil, coisas que deveriam ter acompanhado o avanço da economia. Uma delas é a educação, que o governo anda levando pelas coxas. O Brasil ficou em 88º lugar de 127 países, ficando atrás inclusive da Bolívia, Venezuela, Argentina, Equador, Chile e Cuba, no ranking de educação da UNESCO, enquanto o Reino Unido ficou em 2º, atrás do Japão. Ora, um país que cresceu tanto em economia a ponto de chegar ao sexto lugar não deveria, por obrigação, ter uma qualidade de ensino melhor? No ranking mundial de qualidade de vida, o Brasil também passa vergonha pra um país em sexto lugar na economia: 38º lugar, atrás de Uruguai, Costa Rica, Chile, Argentina e Panamá; nenhuma cidade brasileira aparece no ranking de cidades com melhor qualidade de vida do mundo. Onde está o dinheiro da economia em nossas vidas? Esses são alguns dos motivos que fazem muitos desgostarem do Brasil. O Brasil já é um país mais que rico, deveríamos estar vendo pelo menos a educação subir rapidamente no ranking.

dezembro 24, 2011

Aquele seriado de pseudo-nerd...



The Big Bang Theory. A sitcom taxada por muitos de "série de pseudo-nerd" que tirou meu tédio e me deu o que fazer nos últimos dias. Assisti a primeira temporada há um tempo e esqueci dela. Quando entrei de férias agora em dezembro, sem nada pra fazer, fui atrás de alguns filmes bacanas para assistir. No site de filmes havia a sessão de séries, onde dei cara com os links para todas as temporadas do TBBT. Nisso me deu uma enorme vontade de assistir. Agora estou terminando de baixar os últimos episódios da quarta temporada e, de repente, lembrei de algumas "críticas" a sitcom que andei lendo por aí durante o ano.

Não sei de onde saiu o rótulo de série de pseudo-nerd. Durante as minhas andanças por fóruns sobre a série e conversando com expectadores dela, não vi sequer uma criatura se dizendo nerd por acompanhar a sitcom. Sim, é necessário ter um conhecimento básico sobre química, física, matemática e biologia para compreender algumas piadas, mas não é nada avançado demais que não se possa compreender com os conhecimentos de nível médio (ou nem isso). 

É interessante notar como as pessoas se apegam a rótulos para justificar suas apatias sobre algo. Pessoas que dizem não gostar de certa coisa porque "é coisa de menininha", "é coisa de viadinho", "é coisa de pseudo-nerd" provavelmente são aquelas pessoas de mente fechada, que não se deixam experimentar, que não se deixam envolver por causa dos rótulos.

Uma coisa é você dizer que não gosta de algo depois que você já a conheceu. Outra coisa é você julgar algo por um rótulo que sabe-se lá de onde saiu. Não estou dizendo que não exista alguém que diga que é nerd por assistir TBBT. Pode sim existir, existe todo tipo de gente. Porém, rotular algo por conta de meia dúzia de pessoas que se encaixam no perfil de gente que você não tem empatia é algo estúpido.

Além do mais, aqui cabem críticas a outros rótulos que muitos gostam de usar: o rótulo de nerd e o rótulo de pseudo-nerd. O que é um nerd? Perguntaram certa vez no Formspring, em uma pergunta coletiva. Lá havia todo tipo de descrição, e preconceito, com o rótulo de nerd. E o que é um pseudo-nerd? Essa é mais fácil de responder, mas vai depender muito da descrição do que é nerd, já que cada um tem sua própria descrição do que isso é.

Não deixe de gostar de algo e, principalmente, não deixe de conhecer algo por causa dos rótulos que esse algo recebeu. Rótulos geralmente partem de opiniões ignorantes. E quem precisa de rótulos?

novembro 29, 2011

Pergunta do Formspring: provenha evidencia de que o ateismo é correto.

O ateísmo é correto para mim, mas apenas para mim. Vou explicar: o ateísmo ser correto ou não depende muito da pessoa, no meu caso, chegou um momento em que eu não via mais lógica alguma na existência de um ser divino, hoje em dia estou convicta de que não existe tal entidade que controle toda partícula subatômica que existe no Universo, de que não existe um designer e coisas do tipo. Mas grande parte dos motivos que me levam a ser ateísta são muito pessoais, e muitos não entenderiam. O ateísmo foi propício pra mim, mas pode não ser para meu amigo, que precisa acreditar em um deus para seguir em frente, e eu não o acho mais fraco que eu por isso, porque no fundo ele está seguindo em frente sozinho, da mesma forma. É por isso que não saio por aí divulgando o ateísmo como melhor forma de encarar a vida, porque isso depende muito, aliás, ateísmo não é religião para se sair pregando-o. Acho necessário que ateus mostrem a cara para clarear a mente de certas pessoas que acham que ateu é um ser sombrio desprovido de amor no coração, mas achar que todos deveriam ser ateus é muito exagero. O ateísmo pode ser uma escolha correta para o João mas pode não dar muito certo para o José, que ficaria meio desolado sem seu amigo imaginário, que em sua cabeça o protege de todo o mal. O fato de eu detestar religiões que pregam suas doutrinas aos outros a todo custo não me faz detestar o fato de pessoas acreditarem que uma folha só cai de uma árvore se um deus assim quiser, mesmo que eu saiba que não é assim, ambos podem estar errados. O que acontece é que eu vejo minhas crenças apoiadas em evidências não em fé, e às vezes eu acho que todos deveriam fazer isso, acreditar e ter evidências antes de querer mostrar isso para os outros. As coisas acontecerem por si só faz muito sentido pra mim, mais sentido que achar que um ser mágico faz isso, mas para muitos outros o contrário é que faz sentido, mesmo que eles não possam evidenciar como acontece, eles acreditam, e enquanto isso não interferir na minha vida eu não estou nem aí, porque estou sempre frisando que ambos podem estar errados. Eu critico a bíblia, por exemplo, porque muitos a usam como guia moral, usam para tirar direitos de pessoas, e isso me afeta diretamente, logo eu vou atacá-la. Mas alguém achar que o oxigênio que eu respiro neste momento só está aqui porque deus quer não interfere em nada na minha existência, portanto não me incomoda, a não ser que ele comece a querer me enfiar goela abaixo que isso é verdade. Enfim, o ateísmo me ajuda a entender melhor as coisas, com outras pessoas isso pode não acontecer, por isso ele é o caminho correto para mim, apenas para mim. Não posso dizer se ele é o correto para todo mundo.

agosto 07, 2011

Golden Gate Bridge


Eu lembro da minha viagem para São Francisco, há dois anos. Eu peguei um táxi para esta ponte enquanto minha irmã estava em uma teleconferência. 
Eu fiquei lá por cerca de duas horas, olhando para baixo, assistindo as pessoas, e querendo saber o quão baixo a água estava.
Uma garota sentou perto de mim e perguntou: "Você não vai pular, vai?" 
Eu sorri e assegurei a ela que eu não iria. Que eu era apenas uma turista.
Então ela disse: "Você se parece muito com minha irmã. Desculpe, eu não quero fazer você se sentir desconfortável. Mas eu tenho que perguntar, posso te abraçar? É que você se parece muito com ela."
Eu me senti estranha no início, mas então eu percebi. "Ela pulou?" 
Seu rosto franziu-se, e ela começou a chorar. Eu a abracei, sem pensar duas vezes, e por alguma razão pedi desculpas à ela. Não sei o que mais eu poderia dizer.
"Ela se foi". Essas foram as últimas palavras que ela me disse.
E eu nunca vou esquecer essa garota. Seu nome era Ariana. 

Tirei daqui

julho 24, 2011

George Carlin fala sobre aborto

Colocações excelentes do grande George Carlin, mostrando algumas incoerências dos contra aborto. O vídeo contém música de fundo para evitar que o youtube o desative.


julho 16, 2011

Um dia a comida do armário acaba

Ei amiguinho, o que é isso que você esconde dentro de você? Por que você reprime tanto isso? Isso quer sair daí, por que você não deixa? Você não pode mais alimentar a força que segura isso aí, as comidas que reforçam essas forças já são bem raras, nem que você saia daí você vai encontrá-las.

Por que você mente? Por que você mente para todos e pra você? Querido precioso as comidas que reforçam essas mentiras atualmente são muito caras e estão escassas.

Dói, não dói? Essa dor é fome, fome de liberdade. Você nunca vai achar liberdade nas prateleiras do seu armário, nem nunca achará para comprar, mas você pode procurá-la, se sair desse armário velho e sujo. Felicidade não vem junto com ela, mas você pode procurá-la também, você não pode encontrá-la nessas prateleiras cobertas com suas lágrimas.

Oh, espere! Há duas latas nessa última prateleira, eles estão alí escondidinhas no canto do armário, você nem deu atenção a elas. Em uma delas está escrito "coragem" e na outra "esperança", como você não as viu? 

Vamos lá, coma-as, elas irão te ajudar a procurar sua liberdade e sua felicidade. Elas farão com que você não ligue para o que os monstros de fora desse armário digam pra você, farão com que você enfie as asneiras desses seres de pedra dentro desse móvel ridículo.

Venha, saia, olhe como é lindo aqui fora, veja como os seres de pedra são pequeninos, repare nas obsessões angustiadas deles. Agora veja você, veja como você está melhor, veja como você é grande perto deles, você não parecia tão grande dentro daquele lugar.

Você notou que quanto mais você se distancia daquela prisão mais você fica feliz? Isso, caminhe mais, vá para bem longe daquele inferno, aqueles seres gelados já parecem grãos de areia perto de você, vê como eles não te afetam mais.

Brilhante progresso, é muito bom ver você sendo o que você é, é gratificante vê-lo sorrindo sem medo estampando seu olhar. Você quase nem se lembra mais daquele lugar feio, escuro e apertado. Aquelas prateleiras infelizes pertecem a um passado bem distante, você está ótimo longe aquilo.

Ei amiguinho, que bom que você abandonou os medos e alimentou-se de coragem e esperança. Que bom que você saiu do armário!

Minha (falta de) crença em um deus


Eu sei o que você deve estar pensando: "lá vem mais um daqueles posts sobre como fulano se tornou ateu ou criticando deus de todo o jeito que pode e blá blá blá". De fato é mais ou menos isso, não criticando deus, mas sobre a visão que eu tive de um durante a infância e a visão que eu tenho atualmente.

Como quase toda criança fui criada no meio de uma religião, a religião que pregaram (ou tentaram pregar) a mim foi o catolicismo. Desde muito novinha eu ia à igreja, todos os domingos. Em casa meu pai me obrigava a rezar antes de comer e antes de dormir, algumas vezes ele sentava na mesa e chamava meu irmão e eu para sentarmos com ele, ali começávamos a rezar o terço. Como era insuportável! Lembro de um dia que sequer abri a boca pra rezar, só fiquei lá sentada de olhinhos fechados esperando aquilo acabar para eu ir brincar. Acordar cedo para ir à catequese era uma outra tortura, logo depois da catequese havia a missa, eu cantava no coral (mas essa parte não era tão ruim, eu gostava de cantar, mesmo que tivesse - e ainda tenho - uma voz horrível). 

Fiz Primeira Comunhão aos 10 anos e logo logo estaria me preparando para a Crisma, mas meu desinteresse era grande. Nessa altura do campeonato eu ainda nem sabia por que eu tinha feito Primeira Comunhão, percebi que eu não tinha dado a mínima para as aulas da catequese, a única coisa boa que vi nisso foi que a partir dali eu já poderia comer a hóstia, porque hóstia é uma delícia.

julho 15, 2011

A eterna busca pela causa

As perguntas e dúvidas nos move. É da natureza humana correr atrás das causas de um acontecimento, estamos sempre atrás do motivo, atrás do porquê, atrás de respostas para nossas dúvidas. Muitas vezes é essencial nos questionarmos para corrermos atrás de conhecimento e entender o que acontece em nossas vidas e o que acontece no mundo.

Mas nem sempre encontramos explicação para tudo, perguntas sem respostas existem aos montes. E perguntas que não precisam de respostas também existem aos montes, porém, as pessoas sempre querem um motivo. Muitos têm problemas em aceitar o acaso, afirmando que para tudo existe uma causa, que tudo acontece por uma razão.

Sim, devemos nos questionar, devemos ir atrás de entendermos alguns fenômenos, precisamos de certas respostas. Mas e quando isso acaba fugindo de controle?

abril 29, 2011

Ilusão

Crias situações fantasiosas é um dos meus passatempos prediletos, momentos que nunca aconteceram nem nunca irão acontecer. Coisas bobas, sem sentido. Um mundo alternativo, que só pertence à mim, que ninguém entenderá.

Torná-las realidade? Tentei. Por várias vezes tentei. Seria mais fácil se dependesse apenas da minha vontade. Por mais que eu queira não posso moldar a realidade à minha maneira. E isso me frustra. No meu mundo tudo pode acontecer como eu preferir, ninguém me abandona, ninguém me despreza, ninguém ri de mim.

Quem vive em ilusões nunca estará pronto para o mundo real. Tão acostumada a viver em outra dimensão, sequer consigo lidar com obstáculos. Mas o que posso fazer se a ilusão me atrai mais que a realidade? Não me encaixo ao mundo real, não estou pronta para ele.

Imaginar uma vida feliz é mais fácil que se fazer feliz de verdade. Talvez esse seja o problema, minha intensa atração pelo fácil.

abril 23, 2011

Infância

Talvez parte da minha infantilidade se deva à vontade de voltar a ser inocente. Muitas vezes me pego agindo como se eu ainda fosse uma criança, a época que eu tinha várias janelinhas na boca. A época que eu não tinha consciência da maldade, que eu andava só de calcinha pela casa e pela rua, sentindo o vento bater na pele de todo o corpo. Eu não me preocupava em ganhar dinheiro, dez centavos achados na rua já eram suficientes. Passar a manhã de sábado vendo desenhos animados enrolada com meu cobertor no sofá era  muito mais prazeroso que passar a manhã trabalhando ou estudando para poder trabalhar um dia.
Sinto que estou virando um robô, programada para ter responsabilidades, programada para armazenar cada vez mais informações. Obrigada a me comportar como adulta, não posso mais correr e fazer barulho como quando eu era criança. 
Deitar no chão com meus lápis de cor e folhas brancas, desenhar coisas abstratas que vagavam na minha cabeça, contar histórias para os meus brinquedos, rolar na terra... Perdi isso para as obrigações do mundo adulto, virei o que eu temia virar. 
Sinto saudades de como eu via o mundo, para mim não existia maldade, eu não fazia maldades. Eu não posso mais conversar com meus brinquedos, as obrigações nunca mais vão me deixar passar o dia inteiro aproveitando a vida. 
Tem uma parte de mim que é muito infantil, embora reclamem dela, não quero perdê-la, não quero virar um robô de verdade.

A minha solidão

Uma voz parece implorar por socorro
Desesperada, sufocada pela agústia
Grita para o vazio, o mais alto que pode
Chora até perder a consciência.
O sangue escorre, não há dor física
Pensamentos entorpecidos
Coração esmagado pela frieza
E o desejo de desligar-se para sempre
Tempestades de lágrimas infinitas
Raciocínio anormal
Risos psicopatas ecoando pelo nada
Sentimentos perdidos em um lugar desconhecido
A vontade de continuar se vai
E no final só há escuridão
Solidão, doce solidão

abril 09, 2011

Qual é o verdadeiro motivo da homofobia?

As primeiras coisas que saem da boca de um homofóbico quando perguntado sobre seu preconceito, geralmente, são: "não é natural", "deus criou o homem para a mulher e a mulher para o homem", "homossexuais não podem ter filhos, são uma ameaça à humanidade", "sou contra porque é só mais uma modinha", entre outras coisas parecidas. Mas, o que os levam a pensar que não é algo natural? O que os faz pensar que homossexuais ameaçam o futuro da humanidade? O que os faz acreditar que só a heterossexualidade é correta?

Diversos animais apresentam comportamento homossexual, derrubando a tese de que "homossexualidade não é natural", aqui vou utilizar apenas uma espécie para explicar a naturalidade da homossexualidade e derrubar as outras teses. Com vocês, os bonobos:

(Pan paniscus)